Sobre Autobiografia de Todos Nós

Texto orelha do livro Autobiografia de Todos Nós, de Lenir de Miranda.

Há algum tempo envolvido com livros, textos e edições muitas, cultivava e seguia disfarçando uma vontade de ver editado em Pelotas um trabalho que ousasse diferenciar o que tem acontecido, tanto na forma, como em conteúdo. Um livro de forma (quase) quadrada por que não? De conteúdo que muito bem poderia estar noutro meio de expressão cultural – por que não? – e a autoria fosse de alguém cuja postura, proposta e talento não se submetessem ao conforto de uma idéia e à vaidade de escrever um livro – por que não?... Já perceberam, então, porque estou com Lenir nesta sua obra: simplesmente por que Lenir e tudo a que está se propondo enquadra-se perfeitamente no que nos faltava. E se assim é, tê-la com o selo de nossa editora é como sentir os prazeres da Pasárgada, ou arriscar os extremos e as surpresas de uma Liliputh... Foi um caso de sintonia quase perfeita (e digo quase porque, se total, talvez não precisasse acontecer), já que tanto já sei e espero do que ela traz, que tenho certeza, Lenir, vocês, eu, nós, todos sairemos acrescidos. Lenir reinventa a experiência européia do livro-de-artista, e nestes primeiros produtos ela mesma se envolve, diagrama, imprime e supervisiona a encadernação, dando de si e de seu tempo, à procura do produto final. E Lenir, da idéia do LIVRO DE ARTISTA, torna-se a ARTISTA DO LIVRO, guardando a simetria de um livro, mas trazendo esta proposta nova/antiga (papiro/manuscritos) num momento em que estamos todos ávidos por algo de essência: a essência do artista na sensibilidade do fruidor.

ps: Sobre Lenir e o que ela admite, gosta, empreende, inquieta ou intui, ver neste livro na sequência das páginas. Muito de Lenir, pouco sobre Lenir.

Satisfeitíssimo

Alfredo Cândido Macedo Junior
Especialista em Historia da Arte pela Escola do Louvre, Paris, France
Proprietário da Editora e Livraria Mundial, Pelotas, RS, Brasil
Pelotas - RS, 1994


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