Lenir de Miranda

Com a atenção sempre voltada para a figura humana, esta artista gaúcha, envolve o homem com sinais, signos, símbolos, palavras e rabiscos, jogados sobre o papel, de forma aparentemente anárquica. E isso torna seu desenho instigante, exigindo do espectador mais do que uma simples leitura.

Estas imagens têm, como ponto de partida, fotografias, coletadas em jornais e revistas, que, trabalhadas por Lenir, transformam-se em composições que procuram mostrar as complexas relações do homem contemporâneo com seu universo.

Sua preocupação não é agradar mas tentar povoar os espaços com idéias que estimulem a interpretação do espectador, com um trabalho que foge às conotações do decorativo.

Num clima onde as imagens não são definidas e sofrem interferências, Lenir se liberta através da violência do gesto e da cor. Trata-se de mais um passo no processo que poderá levá-la a maiores desfigurações, como demonstram os trabalhos mais recentes.

Através da multiformidade de informações, ela capta os elementos que transforma numa obra capaz de suportar inúmeras leituras. E isso torna sua criação mais ágil e extremamente cosmopolita.

Sua inquietação criativa faz com que seu trabalho, mantendo características próprias, tenha evoluído numa linha em que, além do seu coerente caminho pessoal, começa a influenciar novos seguidores.

Porto Alegre, 1984

Décio Presser
crítico de arte e jornalista
Diretor do Instituto de Artes Visuais
Secr. do Estado da Cultura do Rio Grande do Sul

Referência Bibliográfica:

PRESSER, Décio. Pinturas. Catálogo Itaú Galeria : São Paulo, 1984.

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